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  • Conheça os benefícios do Mindful Eating

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  • Publicado em: 27/06/2017 15:40

Dr. Kalil Explica 27. Jun. 2017

O próprio Centro Brasileiro de Mindful Eating reconhece: o tema ainda é incipiente na literatura científica e prática clínica no Brasil. O assunto, no entanto, tem despertado a atenção, seja de pacientes ou de médicos, que têm recebido uma demanda crescente de pessoas interessadas em descobrir se a ideia traz, de fato, benefícios ou se é apenas uma das novas dietas da vez.

O Coração e Vida consultou especialistas em Nutrição e Endocrinologia para tentar esclarecer as principais dúvidas que cercam o assunto.

O conceito de mindful eating está estabelecido essencialmente em um cenário que não tem nada de ficção ou passageiro. Dados recentes apontam que a obesidade se tornou, de fato, uma triste realidade em boa parte do planeta. Desde 1980, o número de obesos em mais de 70 países mais do que dobrou.

 
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Os números provêm de um complexo estudo realizado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IMHE) da Universidade de Washington (EUA) e publicado no periódico científico New England Journal of Medicine, que coletou dados de 195 países entre os anos de 1980 e 2015.

O resultado é alarmante. O sobrepeso, que não necessariamente qualifica-se como obesidade, gera problemas de saúde para cerca de 30% da população mundial, considerando tanto adultos como crianças.

Uma das causas desse aumento considerável de pessoas obesas ou com sobrepeso é justamente o fato de que o ser humano, nas últimas décadas, passou a comer "no modo automático". Ou seja, diante do excesso de atividades e compromissos, aliado à ampla oferta de alimentos industrializados e restaurantes estilo fast-food, as pessoas têm se alimentado sem sequer perceberam o que, de fato, está em seus pratos.

"Mindful eating significa comer com atenção plena, perceber as cores, texturas, aromas, sabores, sem julgamentos ou críticas", explica a nutricionista Paula Mintz Hertel, que fala ainda sobre um dos principais problemas alimentares da atualidade. "O fato é que as pessoas comem muito no automático, distraídas e muitas vezes nem percebem o que estão comendo, o que pode levar a um exagero alimentar. Quando estamos atentos ao nosso corpo, fica mais fácil de perceber os sinais de fome e saciedade", completa.

A endocrinologista Claudia Cozer Kalil ressalta que o princípio de mindful eating está relacionado a um "comer consciente" e isso implicar em estar presente física e mentalmente no momento da refeição, valorizando o ato e prestando atenção na comida que está sendo ingerida.

"Dessa forma, a pessoa se torna mais apta a fazer melhores escolhas alimentares e está mais conectada com o corpo, percebendo sua fome e também os primeiros indícios de saciedade. Comer de forma consciente ajuda a evitar que se coma por ansiedade ou compulsivamente e pode ajudar também a comer menores volumes de comida, além da melhora na qualidade alimentar", explica.

De acordo com Cláudia, a ideia central do mindful eating é não restringir. Não se trata, portanto, de uma dieta que busca limitar ou até mesmo proibir determinado gênero de alimentos, mas valoriza a atenção que é dada à comida ou ao ato de se alimentar.

"O indivíduo come com mais calma e muitas vezes reduz o volume. Sem fazer grandes seleções ou sentir culpa. Comer apreciando!", destaca a endocrinologista.

Ainda que as dietas consideradas restritivas possam surtir efeito durante determinado período, não são sustentáveis a longo prazo. Conforme Cláudia destaca, "restringir determinado alimento ou determinado grupo alimentar torna o 'proibido' mais atraente e há maior risco de exagero ou compulsão".

Paula complementa que a dieta restritiva carrega os riscos de deficiências nutricionais, impactos psicológicos, queda no rendimento na atividade física e baixa disposição física e mental. "As necessidades nutricionais são individuais, portanto não tem como existir uma dieta padrão", completa.

Mais do que determinar uma rígida lista de alimentos e hábitos alimentares, o conceito de mindful eating busca disseminar a ideia de que as pessoas precisam atentar-se ao que estão ingerindo. Quanto mais consciente estivermos em relação àquilo que comemos, mais estaremos aptos a selecionar com mais rigor os alimentos e a buscar refeições mais saudáveis e em proporções mais adequadas.

É preciso ressaltar, no entanto, que qualquer tipo de dieta ou mudança na rotina alimentar pode e deve ser acompanhada de perto por profissionais especializados. Ambas as especialistas ressaltam a importância de que as orientações devem ser individuais, baseadas em diversos fatores que naturalmente divergem de pessoa para pessoa.

"Não existe dieta milagrosa. As pessoas é que buscam milagres, resultados rápidos", afirma Paula. Cláudia completa e sustenta que os "modismos alimentares" geram ansiedade e medo das pessoas perante a comida.

"O estilo de vida saudável com a prática regular de atividade física, boas noites de sono e comida equilibrada proporcionam o efeito 'milagroso' vendido por tantas dietas da moda. Permitir-se comer um chocolate gostoso de vez em quando o torna mais seletivo. Você quer 'o' chocolate e não qualquer chocolate. É preciso dizer mais 'sim' para a comida e com menos culpa - afinal é só um chocolate -, para poder dizer 'não' de maneira seletiva", reitera a endocrinologista.

Segundo ela, as dietas "milagrosas" tem prazo de validade. "O estilo de vida saudável, que engloba uma boa relação com a comida é duradouro e menos desgastante, pois a médio ou longo prazo se torna intuitivo, libertando-nos de dúvidas e culpas", completa.

Revisão técnica

  • Prof. Dr. Max Grinberg
  • Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
  • Autor do blog Bioamigo

Fonte: site Coração e Vida, produzido com a curadoria do cardiologista Dr. Roberto Kalil Filho.

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