Você sabe o que é a fibromialgia?

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Quando a cantora norte-americana Lady Gaga anunciou o cancelamento do show que faria no Rock in Rio no último dia 15 de setembro, a reação dos fãs foi imediata. De início, houve incredulidade e tristeza. Com o passar do tempo, no entanto, os sentimentos deram lugar a dúvidas quanto ao motivo do cancelamento: fibromialgia, conforme informou a própria cantora. Afinal, que doença é essa? Quais seus sintomas e como se dá seu tratamento?

A fibromialgia é conhecida também como Síndrome da Dor Generalizada. Isso porque a enfermidade tem como principal característica a ocorrência de fortes dores em diversos pontos do corpo, por períodos prolongados. Acredita-se que no Brasil aproximadamente 3% da população sofre com a doença. No mundo, o índice chega a aproximadamente 5%.

De acordo com a fisiatra Christina May Moran de Brito, coordenadora Médica do Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês, a dor intensa e prolongada é, de fato, o principal sintoma da doença, mas não é o único.

Os principais sintomas são: dor generalizada persistente, acompanhada de distúrbios do sono, fadiga moderada a intensa, transtornos do humor (ansiedade e depressão), disfunção cognitiva leve e alteração do hábito intestinal (síndrome do cólon irritável).

A especialista fala também sobre uma análise clínica que já é usada pelos médicos que tratam da doença.

¿No passado, considerava-se a quantidade de pontos dolorosos como critério diagnóstico, mas este critério foi abandonado. E os exames complementares, laboratoriais e de imagem não apresentam alterações¿, complementa.

O diagnóstico da fibromialgia é justamente uma das principais dificuldades para que o tratamento seja feito de maneira correta e no tempo adequado. Os exames complementares são solicitados apenas para descartar diagnósticos diferenciais, já que a constatação da doença se dá por meio clínico, através do histórico e exame físico realizado no paciente, verificando os pontos em que há dor forte e contínua.

Além disso, infelizmente ainda não se conhece uma causa específica da fibromialgia.

De acordo com a fisiatra do Sírio-Libanês, o entendimento mais aceito atualmente é de que a doença decorre de uma alteração no processamento da dor pelo sistema nervoso central. Dessa forma, seu tratamento irá incluir a utilização de analgésicos e relaxantes musculares, sendo estes utilizados de forma complementar.

¿Em casos em que sintomas depressivos estejam presentes (frequentemente estão), procura-se utilizar medicamentos antidepressivos que atuam no sistema supressor de dor¿, explica.

¿E, fundamental, em adição à terapia farmacológica: psicoterapia; terapia cognitiva comportamental; manejo de estresse; técnicas de relaxamento e meditação; exercícios aeróbios com o objetivo de atingir, de forma progressiva, 150 minutos de atividade física moderada, distribuídos na maior parte dos dias da semana; e orientação para uma dieta saudável e higiene do sono¿, completa.

A prática da atividade física é essencial para quem recebe o diagnóstico da fibromialgia. Isso porque o exercício, além de melhorar o condicionamento físico, poderá funcionar como uma espécie de ¿distração¿ para o sistema nervoso, minimizando momentaneamente as fortes dores associadas à doença.

Importante alertar também que a fibromialgia pode atingir ambos os sexos e todas as faixas etárias. No entanto, de acordo com a fisiatra, a doença tem afetado mais frequentemente as mulheres, a partir da meia idade.

¿Estudos evidenciam que pode haver influência genética, familiar e que, frequentemente, há um gatilho, um estressor significativo, que precede o início dos sintomas, que pode ser físico ou psíquico¿, conclui a especialista.

Ainda segundo a médica, na presença de dores, o paciente deve sempre procurar assistência médica. Não necessariamente ocorrerá o diagnóstico da fibromialgia, mas a dor será sempre um alerta de alguma desordem no corpo humano. Seja ela qual for, deve ser tratada.

Revisão técnica

  • Prof. Dr. Max Grinberg
  • Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
  • Autor do blog Bioamigo

Fonte: site Coração e Vida, produzido com a curadoria do cardiologista Dr. Roberto Kalil Filho.

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