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  • A Aids na terceira idade

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  • Publicado em: 11/09/2014 14:24

Embora o número total de casos de Aids na terceira idade ainda seja pequeno se comparado aos de outras faixas etárias, ele mais do que dobrou de 1998 a 2008, segundo dados de 2010 do Ministério da Saúde. Esses casos são transmitidos predominantemente por relação sexual heterossexual.

Segundo o infectologista Jean Carlo Gorinchteyn, os idosos têm ainda a ideia de que a Aids é uma doença de jovens e que estão à margem do risco de contaminação. Além disso, o uso de preservativo pela terceira idade costuma estar erroneamente relacionado com a prevenção de uma gravidez indesejada e não com doenças sexualmente transmissíveis.

No caso dos homens, com o uso de medicações de controle e tratamento de problemas de disfunção erétil, eles acabam se sentindo mais seguros, tendo um maior número de relações sexuais, aumentando as chances de contaminação, explica o especialista. Muitas vezes, mantêm relações com parceiras fora do casamento, geralmente com mulheres mais jovens, e contaminam as esposas.

As doenças oportunistas que acometem o indivíduo idoso são as mesmas que acometem um adulto jovem, diz o infectologista. Porém, o grande problema é que algumas delas podem passar despercebidas pelo clínico frente a um paciente idoso sem conhecimento da positividade sorológica para o HIV.

A pneumocistose, por exemplo, poderia ser considerada por um clínico como uma pneumonia grave em paciente debilitado. O mesmo nos quadros demenciais, que poderiam ser tratados como um quadro de demência de outra etiologia. Assim, os prognósticos destes pacientes poderiam ser comprometidos.

Diagnóstico da Aids na terceira idade

De acordo com o especialista, esse grupo etário divide-se em situações distintas de diagnóstico: aqueles que abrem o quadro com a doença oportunista; aqueles que o fazem através de exames casuais, como doações sanguíneas; e, mais raramente, aqueles que o fazem por temer uma relação de risco no passado.

Isso, certamente, modifica a abordagem a ser feita, pois cada um desses grupos vai merecer um tipo de respaldo e amparo frente ao diagnóstico. Aqueles com doença oportunista instalada, que têm seu diagnóstico estabelecido no ambiente hospitalar, permitem ao médico, por sua proximidade, prepará-los, diariamente, para o resultado.

Para aqueles que vêm com seu diagnóstico sorológico confirmado em consulta ambulatorial, a abordagem deve ser bastante criteriosa, gastando-se um período mais prolongado de consulta para apoiá-lo, aliado à eventual associação de um profissional da área de psicologia.

Tratamento da Aids na terceira idade

O tratamento de idosos com HIV / Aids é semelhante ao dos pacientes de outras faixas etárias. A escolha da terapêutica antirretroviral deverá considerar as condições clínicas, imunológicas e virológicas do paciente por ocasião do diagnóstico, assim como a presença de comorbidades, sejam estas oportunistas ou não, para reduzir os riscos de agravar doenças pré-existentes e obter a reconstituição imunológica de forma mais precoce.

De acordo com o infectologista, a dificuldade de tratar esse grupo etário é a presença de doenças metabólicas e do próprio envelhecimento, que comprometem a escolha da terapêutica antirretroviral. Principalmente pela escolha de drogas promotoras de defeitos colaterais, o que agravaria as alterações pré-existentes.

Além disso, muitos pacientes têm seu diagnóstico estabelecido tardiamente e se apresentam com doenças oportunistas, o que eleva os índices dos interferentes do tratamento e da morbimortalidade.

A abordagem multidisciplinar é de fundamental importância, devendo ter retornos clínicos e exames laboratoriais periódicos, com intervalos mais curtos, além de métodos de diagnóstico de apoio mais específicos, como, por exemplo, densitometria óssea, além daqueles de avaliação virológica e imunológica.

Os pacientes idosos devem merecer atendimento pormenorizado, respeitando-se não só suas limitações físicas, como necessidades individuais, preocupando-se, inclusive, com suporte psicológico e social, ressalta o especialista.


Outras referências:
http://www.portalterceiraidade.com.br/dialogo_aberto/sexualidade_3i/sexualidade7.htm
http://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/view/9913/7367
http://www.minhavida.com.br/alimentacao/materias/4354-virus-hiv-ameaca-a-terceira-idade