Como funciona o anticoncepcional hormonal?

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O anticoncepcional hormonal é, atualmente, o método contraceptivo reversível mais utilizado pelas mulheres. O uso não é indicado apenas como meio de prevenir a gravidez, mas também para o tratamento, com orientação médica, de problemas de saúde como a síndrome dos ovários policísticos.
No entanto, apesar de ser um assunto comum na vida feminina, ainda existe espaço para dúvidas e mitos sobre a atuação do anticoncepcional no organismo, especialmente no que toca a vontade futura de suspender o uso e engravidar. Vamos entender um pouco mais?

Conhecendo os anticoncepcionais hormonais mais comuns:

Pílula de uso oral
Um dos métodos mais populares, a pílula é composta por hormônios que inibem a ovulação. Há vários tipos de pílulas, que variam conforme os hormônios utilizados, além da variação entre uso contínuo e com pausas. As pílulas atingem até 99,7% de eficácia na prevenção da gravidez.

Anticoncepcional injetável
Aplicado uma vez por mês ou trimestralmente, os hormônios são gradualmente liberados no organismo e impedem a ovulação. Esse método têm a vantagem da praticidade e atinge até 99,9% de eficácia.

Implante contraceptivo O bastão (com cerca de 4 cm x 2 mm) é introduzido sob a pele por um profissional da saúde e libera hormônios para impedir a ovulação. Sua eficácia é de 99,9% e ele precisa ser trocado a cada três anos.

DIU (Dispositivo Intrauterino)
Tanto o DIU de cobre quanto o DIU hormonal são introduzidos no útero e impedem a passagem dos espermatozoides para as trompas, a fim de evitar a fecundação do óvulo. Alcançam 99,8% de eficácia e devem ser trocados a cada cinco anos, apenas pelo médico ginecologista. “A escolha do método contraceptivo precisa levar em conta todo o histórico da mulher, em uma avaliação global, na consulta médica. Mulheres hipertensas e fumantes podem ter contraindicação para o uso de pílulas anticoncepcionais hormonais. É sempre importante discutir com o seu médico todos os benefícios e riscos em relação à saúde do coração e aos problemas de circulação”, destaca Roberto Kalil Filho, diretor das áreas de cardiologia do Instituto do Coração (Incor) e do Hospital Sírio-Libanês.

Para “desvendar” alguns mitos comuns relacionados aos anticoncepcionais hormonais, o Coração & Vida também conversou com a assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo Amouni Mourad. Confira a entrevista:

C&V – O anticoncepcional hormonal pode causar infertilidade? Existem motivos de algumas mulheres não conseguirem engravidar depois de algum tempo de uso?
Não existe relação direta no uso de anticoncepcionais com infertilidade. Porém, em algumas mulheres, pode haver o mascaramento de alguma doença que pode gerar infertilidade pelo uso de contraceptivos. Por exemplo: no caso de menopausa precoce, os sintomas podem ser mascarados com o uso de contraceptivos. Em relação às condições que podem levar a infertilidade, elas são várias, como a síndrome dos ovários policísticos e endometriose ¿ duas causas que geram problemas para engravidar em mulheres em idade fértil.

C&V – Como age, exatamente, o anticoncepcional na hora de evitar a gravidez?
O principal mecanismo de ação dos métodos hormonais é a anovulação. Isso ocorre com as pílulas combinadas e com os injetáveis trimestrais. Apesar de poder ocorrer mesmo com as minipílulas e o DIU, a anovulação não é o principal mecanismo de ação desses métodos. Nesses casos, o que eles fazem é modificar o muco cervical, tornando-o hostil ao espermatozoido, criando um efeito não-receptivo para a implantação.

C&V – Em quanto tempo, ao suspender o uso, o corpo da mulher volta ao “normal”?
Considerando que o mecanismo de ação dos contraceptivos orais é de evitar a ovulação, inibindo liberação de hormônios ou promovendo o espessamento do muco cervical e dificultando a ação do espermatozoide, o esperado é que a mulher possa voltar ao normal em pouco tempo. Entretanto, cada organismo tem suas características próprias. Deve-se observar que, quando o contraceptivo é injetável e de depósito, a mulher pode levar mais tempo para engravidar, tendo em vista que medicamentos assim ficam agindo no organismo por mais tempo.

Revisão técnica

  • Prof. Dr. Max Grinberg
  • Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
  • Autor do blog Bioamigo

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