Depressão pós-férias é normal? Veja quando se preocupar

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Sintomas de estresse e insatisfação permanentes são sinais de alerta

Você já ouviu falar em depressão pós-férias? Parece exagero, mas, para algumas pessoas, lidar com o retorno ao trabalho após dias de descanso e liberdade pode trazer ansiedade, tristeza, irritabilidade, insônia e até sintomas físicos como quadros de gastrite.

Esse cenário merece atenção quando a sensação de desconforto permanece por mais de um mês, já que, normalmente, leva-se de uma semana a 15 dias para se readaptar a rotina profissional.

A combinação desses sintomas, na verdade, pode representar um quadro de estresse, que não necessariamente tem ligação direta com o fim do recesso. Além de apontar que algo já não vai tão bem no ambiente de trabalho ou mesmo em aspectos pessoais. “Quem está satisfeito com a própria carreira, tende a se sentir motivado com a volta. Esse desconforto não é normal e está relacionado a um ambiente corporativo disfuncional, em que pode haver desgastes nas relações, falta de confiança e apoio do gestor”, esclarece Maria Alice Fontes, doutora em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora da clínica Plenamente, em São Paulo.

Segundo a especialista, vale a pena fazer uma avaliação geral e refletir sobre os incômodos relacionados ao trabalho, olhando para os seus anseios profissionais e também para questões pessoais que podem ter ligação com os sinais de estresse.

Investigar as causas da insatisfação é o ponto de partida, por isso o acompanhamento de um profissional especializado é importante, inclusive para encontrar estratégias de enfretamento ou mesmo suporte em futuras mudanças. “É necessário compreender as razões pelas quais o indivíduo não está conseguindo se readaptar (a rotina). Dessa forma, fica mais fácil de encontrar alternativas e saídas, trazendo um alívio, mesmo que a médio ou longo prazo”, complementa Vânia Calazans, psicóloga clínica e hipnoterapeuta cognitiva, formada pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Sinal de alerta

Ambientes competitivos e com níveis de exigência e pressão muito altos podem gerar sentimentos de incapacidade e frustração. Assim como trabalhar com lideranças que não valorizam e nem estimulam seus colaboradores.

Em todo país, sete em cada 10 brasileiros sofrem com o estresse. Desse total, 30% ainda chegam a níveis mais altos e desenvolvem a chamada Síndrome de Burnout, compreendida por um estado de exaustão grave desencadeado pela atividade profissional e que acarreta em problemas físicos, necessidade de medicação e acompanhamento terapêutico.

Os sinais de estresse – tremor, sudorese, ansiedade, taquicardia – não significam, necessariamente, que a pessoa está entrando em um estado depressivo, mas é um recado do corpo que demanda atenção. ¿Quanto mais cedo procurarmos as causas dessa sensação, melhor é, pois conseguimos evitar que a depressão se instale¿, destaca Calazans.

Como a motivação também tem um grande peso individual, focar nos aspectos positivos do trabalho como o conforto que os recursos financeiros nos proporcionam, a evolução profissional e as relações sociais, costuma ser uma boa estratégia para manter o ânimo e a inspiração. “Podemos aprender a transformar o trabalho em uma fonte de prazer, ou seja, sublimar a energia em gratificação pessoal, sentindo-se importante e fazendo a diferença”, complementa Fontes.

Dicas para melhorar o ambiente – e deixar a rotina mais leve

– No retorno das férias, respeite seu tempo de adaptação e “retomada” de ritmo.

– Transforme sua sala, mesa ou baia em um local agradável. Vale trazer referências de casa, fotos da família ou de momentos prazerosos e objetos de decoração que combinem com a sua personalidade.

– Ouvir música durante as atividades de trabalho pode contribuir com a concentração e também trazer relaxamento. Se for possível, crie uma playlist agradável e inspiradora e ligue seus fones.

– Tenha alguns momentos de pausa para se alimentar ou esticar o corpo. Ginástica laboral também é positiva.

Revisão técnica

  • Prof. Dr. Max Grinberg
  • Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
  • Autor do blog Bioamigo

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