Saúde do fígado: cuidados que ninguém conta.

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imagem de uma mulher com dor no fígado, simbolizando Saúde do fígado: cuidados que ninguém conta.

O fígado é um dos órgãos mais importantes do corpo humano e trabalha de forma silenciosa para manter nosso equilíbrio interno. Ele metaboliza nutrientes, filtra toxinas, produz substâncias vitais e armazena energia. Apesar de sua importância, cuidados essenciais com o fígado ainda são pouco comentados. Muitas doenças hepáticas se desenvolvem sem sintomas evidentes e só são detectadas em estágios avançados, quando o tratamento se torna mais difícil. De acordo com o Ministério da Saúde, práticas como a vacinação contra hepatites, moderação no álcool e hábitos alimentares equilibrados são fundamentais para manter o órgão saudável. A seguir, você conhecerá cuidados preventivos e hábitos de proteção que raramente são discutidos, mas que podem fazer toda a diferença.

O papel vital do fígado

O fígado realiza mais de 500 funções diferentes, incluindo a síntese de proteínas, a regulação de carboidratos e lipídios, a produção da bile e a eliminação de substâncias nocivas. É também a maior glândula do corpo e possui uma notável capacidade de regeneração, mas essa habilidade não é ilimitada. Segundo a Fiocruz, a sobrecarga constante por má alimentação, uso excessivo de medicamentos ou contato frequente com toxinas compromete gradualmente sua estrutura e função. Um ponto pouco falado é que o fígado participa diretamente do equilíbrio hormonal e imunológico, influenciando até mesmo a nossa disposição e saúde mental. Cuidar dele não é apenas evitar doenças graves, mas também preservar energia e bem-estar no dia a dia.

Doenças silenciosas do fígado

As doenças silenciosas do fígado representam um desafio porque, na maioria das vezes, não apresentam sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Isso significa que o órgão pode sofrer danos por anos sem que a pessoa perceba, e quando os sinais aparecem, o quadro já pode estar avançado. De acordo com o Ministério da Saúde, problemas como a esteatose hepática, as hepatites virais, a cirrose e até o câncer de fígado costumam ser detectados apenas em exames de rotina ou durante a investigação de outros sintomas.

Esteatose hepática: A gordura no fígado, ou esteatose hepática, é uma das doenças hepáticas mais comuns e geralmente não apresenta sintomas no início. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia, ela afeta até 30% da população e está ligada a sobrepeso, resistência à insulina e consumo excessivo de açúcar. Embora muita gente associe problemas no fígado ao álcool, a esteatose não alcoólica é hoje uma das principais causas de cirrose no mundo.

Hepatites virais: As hepatites B e C são transmitidas principalmente por contato sexual desprotegido, uso de objetos cortantes compartilhados e sangue contaminado. Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra hepatite B é segura e eficaz e está disponível gratuitamente pelo SUS. A prevenção inclui ainda uso de preservativo e cuidados de higiene com alimentos. 

Cirrose e câncer de fígado: A cirrose é o estágio final de várias doenças hepáticas e compromete a função do órgão de forma irreversível. O câncer de fígado, por sua vez, é mais comum em quem já apresenta cirrose ou hepatites crônicas. O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e controle.

Alimentação que protege o fígado

A alimentação equilibrada é a base para manter o fígado saudável. Reduzir o consumo de açúcar e carboidratos refinados é mais importante do que limitar gorduras de forma indiscriminada. Pesquisas indicam que o excesso de açúcar contribui mais para a esteatose hepática do que a ingestão moderada de gorduras boas. O ideal é priorizar frutas, verduras, legumes, leguminosas e cereais integrais, que auxiliam no controle da glicose e na redução da sobrecarga hepática. 

Nutrientes estratégicos: Nutrientes como colina (presente em ovos e soja) e betaína (encontrada na beterraba e na quinoa) ajudam a mobilizar gordura acumulada nas células hepáticas. Outro aliado é o café: estudos indicam que o consumo moderado de 2 a 3 xícaras por dia pode reduzir inflamações e prevenir fibrose hepática.

Evitar excessos: Refrigerantes, bebidas alcoólicas e produtos ultraprocessados devem ser limitados. O álcool, mesmo em pequenas quantidades, é metabolizado pelo fígado e pode gerar estresse oxidativo. Para quem já tem gordura no fígado, a recomendação médica é eliminar completamente o consumo de bebidas alcoólicas.

Atividade física e prevenção

O exercício regular é um dos meios mais eficazes de proteger o fígado. Ele melhora a sensibilidade à insulina, reduz a gordura abdominal e ajuda no controle do peso, prevenindo a esteatose e o diabetes tipo 2. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 150 minutos semanais de atividade moderada já trazem benefícios significativos para a saúde hepática. Exercícios de força também contribuem, pois aumentam a massa muscular, o que ajuda no metabolismo da glicose e na redução da inflamação. Pequenas mudanças no cotidiano, como subir escadas e caminhar mais, já têm efeito positivo.

Perigos pouco comentados

Embora muitos relacionem problemas no fígado apenas ao consumo excessivo de álcool ou a doenças como hepatites, existem outros riscos menos conhecidos, mas igualmente prejudiciais, que podem comprometer a saúde hepática de forma silenciosa e progressiva. Alguns deles estão presentes no dia a dia e, por não receberem tanta atenção, acabam passando despercebidos.

Automedicação: O uso indevido de medicamentos é uma das principais causas de lesão hepática aguda. Analgésicos como o paracetamol, quando consumidos em doses elevadas ou combinados com álcool, podem provocar danos graves e até insuficiência hepática. 

Suplementos e chás “naturais”: Produtos naturais não são sinônimo de segurança. Segundo estudos, suplementos à base de ervas estão entre as causas de lesão hepática, sendo responsáveis por cerca de 8% dos casos documentados. Em 21% desses episódios, a lesão foi grave a ponto de levar à morte ou exigir transplante.

Exposição a toxinas: Contato frequente com solventes, pesticidas e outros químicos também prejudica o fígado. Profissionais expostos a essas substâncias devem seguir protocolos de segurança e usar equipamentos de proteção.

Vacinação e prevenção de hepatites

A vacinação contra hepatite B é recomendada para todas as faixas etárias e está disponível gratuitamente no SUS. Para a hepatite A, a vacina também é oferecida e indicada principalmente para crianças e pessoas em áreas com saneamento precário. Além das vacinas, medidas como uso de preservativo, não compartilhar objetos cortantes e higienizar bem alimentos reduzem o risco de infecção. O diagnóstico precoce das hepatites é essencial para evitar complicações, e o SUS oferece testagem rápida e tratamento gratuito.

Check-ups e exames de rotina

Muitos problemas no fígado são detectados em exames de rotina, antes mesmo de surgirem sintomas. Avaliações como dosagem das enzimas hepáticas e ultrassonografia abdominal ajudam a identificar inflamações, gordura e outras alterações. Pessoas com fatores de risco, como obesidade, diabetes, consumo regular de álcool ou histórico familiar de doenças hepáticas, devem fazer acompanhamento periódico com um profissional de saúde. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia, a detecção precoce aumenta significativamente as chances de controle e tratamento eficaz.

Fígado e saúde geral

O fígado influencia diretamente a digestão, o metabolismo e até a imunidade. Alterações no órgão podem impactar a disposição, a clareza mental e o equilíbrio hormonal. Um fígado sobrecarregado também tem menor capacidade de filtrar toxinas, o que afeta todo o organismo. Por isso, cuidar dele é cuidar da saúde de forma ampla. Hábitos que beneficiam o fígado, como alimentação saudável, atividade física e moderação no álcool, também protegem o coração, os rins e o cérebro.

Cuidar da saúde do fígado é um investimento para a vida toda. Embora nem sempre seja tema de conversa, vimos que uma série de cuidados “ocultos” pode fazer grande diferença na prevenção de doenças hepáticas. Pequenas mudanças de hábito, como melhorar a alimentação, praticar exercícios, moderar o consumo de álcool e evitar o uso desnecessário de medicamentos, têm impacto significativo na proteção do fígado. Além disso, ao adotar medidas preventivas pouco comentadas – como vacinar-se contra as hepatites, usar preservativos nas relações sexuais e ter cautela com suplementos – é possível reduzir drasticamente os riscos de agressões silenciosas ao fígado.

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Fontes:

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