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Agosto Dourado 2026 e Golden Hour: O que Muda na Amamentação

Foto em tom quente e iluminação natural de uma mãe em contato pele a pele com o recém-nascido no tórax logo após o parto, transmitindo acolhimento e proteção

O Agosto Dourado é dedicado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A cor representa o padrão ouro de qualidade do leite humano — alimento completo que reúne nutrientes e fatores imunológicos fundamentais para o desenvolvimento infantil. No Brasil, o mês foi instituído pela Lei nº 13.435/2017 para intensificar ações de conscientização, eventos e iluminação de edifícios públicos. Em 2026, o tema ganhou um avanço crucial com a Nota Técnica nº 124/2026-DAHUD/SAES/MS, que orienta maternidades públicas e privadas sobre o contato pele a pele na primeira hora de vida (Golden Hour).

Por que o Agosto Dourado é tão importante

A campanha não foca apenas na escolha individual da mulher, mas convoca toda a sociedade a criar um ambiente seguro e acolhedor. Isso exige pré-natal informativo, assistência qualificada no parto, apoio no puerpério e ambientes de trabalho adequados para extração e conservação do leite. A OMS e o Ministério da Saúde recomendam amamentação exclusiva até os 6 meses (sem necessidade de água ou chás) e mantida com alimentação complementar até os 2 anos ou mais. Como cada experiência é única, enfrentar dores ou dificuldades de pega exige rede de apoio e orientação técnica — jamais julgamento.

Benefícios do aleitamento materno para o bebê

O leite materno adapta-se continuamente às necessidades da criança. Entre os principais benefícios estão a prevenção de infecções respiratórias, diarreias e alergias, além da redução dos riscos de obesidade, diabetes e hipertensão na vida adulta. Nos primeiros dias, a mulher produz o colostro, rico em anticorpos e perfeitamente suficiente para a capacidade gástrica do recém-nascido. Leite “fraco” é um mito: a sucção frequente e em livre demanda regula a produção ideal de acordo com os sinais do bebê.

Benefícios da amamentação para a mulher

Os efeitos positivos do aleitamento materno também alcançam a saúde da mulher. A sucção do bebê estimula a liberação de ocitocina, hormônio que participa das contrações uterinas no pós-parto. Esse processo favorece a recuperação do útero e pode contribuir para a prevenção de sangramentos excessivos após o nascimento.

Em longo prazo, a amamentação está associada à redução do risco de desenvolvimento de câncer de mama e de ovário. O Ministério da Saúde também destaca o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê entre os benefícios relacionados à prática.

A proximidade durante as mamadas pode proporcionar segurança, reconhecimento e conexão. Entretanto, o vínculo afetivo não depende exclusivamente da amamentação. Ele também é construído pelo colo, pelo toque, pela presença, pela comunicação e pelos cuidados oferecidos diariamente.

A mulher precisa ser cuidada como parte central desse processo. Descanso, alimentação adequada, divisão das tarefas, apoio emocional e acompanhamento profissional podem fazer uma diferença concreta na manutenção do aleitamento.

Golden Hour: o que mudou em 2026

A atualização de 2026 aconteceu com a publicação da Nota Técnica nº 124/2026. O documento determina que a Golden Hour, também conhecida como Hora de Ouro, seja rigorosamente preservada como um período crítico para a estabilização fisiológica do recém-nascido e para o fortalecimento do vínculo afetivo.

A principal intervenção durante esse intervalo é o contato pele a pele imediato e ininterrupto, desde que a mãe e o bebê apresentem condições clínicas para a realização segura da prática. O recém-nascido deve ser colocado diretamente sobre o corpo materno, sem tecidos entre as peles, preferencialmente ainda no primeiro minuto de vida.

O bebê deve permanecer aquecido, com as vias aéreas livres e sob supervisão da equipe de saúde. A orientação segue o princípio de “Zero Separação”, evitando que a criança seja afastada da mãe para procedimentos que possam ser realizados posteriormente.

Durante o contato, o corpo materno ajuda na regulação da temperatura, no controle glicêmico e na estabilização cardiorrespiratória do recém-nascido. A prática também pode reduzir o choro e o gasto energético, favorecer a colonização pela microbiota materna e facilitar os movimentos espontâneos de busca pela mama.

Procedimentos de rotina devem esperar

A orientação de 2026 estabelece que procedimentos de rotina, como pesagem, medição, administração de vacinas e profilaxias, sejam adiados para depois da primeira hora de vida ou até a conclusão do primeiro ciclo de amamentação, desde que isso não prejudique a assistência.

A avaliação clínica deve continuar acontecendo, mas, sempre que possível, sem interromper o contato pele a pele. A tecnologia e as rotinas administrativas não devem se sobrepor às necessidades fisiológicas da mãe e do bebê durante esse período.

Isso não significa que atendimentos urgentes devam ser adiados. Quando a mulher ou o recém-nascido apresenta instabilidade clínica, as intervenções necessárias precisam ser realizadas imediatamente. Depois da estabilização, o contato pele a pele deve ser iniciado ou retomado o mais rapidamente possível.

A Golden Hour também deve acontecer na cesariana

Um dos pontos reforçados pela nota técnica é a necessidade de organizar os serviços para que o contato pele a pele também seja viabilizado durante a cirurgia cesariana.

Sempre que houver estabilidade clínica, o bebê pode ser colocado sobre o tórax da mãe após a avaliação inicial. Para que isso aconteça com segurança, obstetras, anestesistas, pediatras, profissionais de enfermagem e demais integrantes da equipe devem atuar de maneira coordenada.

A nota orienta que os hospitais revisem seus fluxos, capacitem as equipes e adaptem a estrutura dos centros obstétricos para tornar o contato pele a pele uma prática rotineira, inclusive nas cesarianas. As recomendações se aplicam aos serviços públicos e privados.

O direito ao acompanhante e o apoio da doula

A atualização também reforça a participação do acompanhante de livre escolha da mulher durante o trabalho de parto, o parto e o pós-parto imediato. Esse direito está previsto na Lei nº 11.108/2005 e foi ampliado pela Lei nº 14.737/2023, que trata do direito da mulher a acompanhante em atendimentos realizados em serviços de saúde públicos e privados.

O documento também menciona a presença da doula quando houver disponibilidade e essa for uma escolha da gestante. Em 2026, a Lei nº 15.381/2026 passou a regulamentar o exercício da profissão de doula em todo o território nacional. Esse suporte não substitui o acompanhante escolhido pela mulher.

Amamentar também exige aprendizado e apoio

Embora seja um processo biológico, amamentar nem sempre acontece de maneira automática. Mãe e bebê podem precisar de tempo e orientação para encontrar uma posição confortável e desenvolver uma pega eficiente.

Dor intensa ou persistente não deve ser considerada algo que a mulher precisa simplesmente suportar. Fissuras, dificuldade de pega, mamas muito endurecidas, vermelhidão, febre, diminuição importante das mamadas ou dificuldade de ganho de peso do bebê exigem avaliação profissional.

Unidades de saúde, maternidades e bancos de leite humano podem orientar sobre posicionamento, pega, ordenha, armazenamento do leite e dificuldades mamárias. Os bancos de leite não atendem apenas mulheres que desejam doar. Eles também desenvolvem ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento.

Uma responsabilidade compartilhada

A amamentação se torna mais viável quando a mulher encontra uma rede que respeita suas necessidades. Familiares podem ajudar com a alimentação, a limpeza, os cuidados com outros filhos e a organização da rotina. Companheiros e acompanhantes podem oferecer apoio emocional e participar das consultas e orientações.

Os profissionais de saúde devem transmitir informações baseadas em evidências, observar cada situação individualmente e evitar julgamentos. Os empregadores também possuem um papel importante ao respeitar os direitos da mulher e oferecer condições para a retirada e a conservação do leite no retorno ao trabalho.

O Agosto Dourado reforça que proteger o aleitamento é proteger a saúde materna e infantil. A atualização da Golden Hour em 2026 amplia essa mensagem ao orientar as maternidades a evitar separações desnecessárias, incluir a cesariana nas boas práticas e reorganizar procedimentos para que o contato pele a pele seja realmente uma prioridade.

O leite materno alimenta, protege e participa do desenvolvimento da criança. Para a mulher, a amamentação pode contribuir para a recuperação depois do parto e para a redução do risco de algumas doenças. Esses benefícios, porém, devem ser promovidos com informação, assistência, acolhimento e respeito às condições de cada família. Continue acompanhando nosso blog para acessar outros conteúdos sobre gestação, saúde materna, desenvolvimento infantil e prevenção. Aqui, você encontra informações confiáveis e explicadas de forma clara para apoiar decisões mais conscientes em todas as fases do cuidado com a família.

Acolhimento e segurança para cada etapa da sua maternidade

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Fontes:

Lei nº 13.435/2017 – Mês do Aleitamento Materno

Nota Técnica nº 124/2026-DAHUD/SAES/MS

Aleitamento materno – Ministério da Saúde

Alimentação de bebês e crianças – Organização Mundial da Saúde

Lei nº 11.108/2005 – Direito ao acompanhante

Lei nº 14.737/2023 – Acompanhante nos serviços de saúde

Lei nº 15.381/2026 – Exercício da profissão de doula