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Síndrome Ovariana Metabólica Poli endócrina (SOMP)

Mulher sentada no chão do quarto expressando cansaço, cercada por um círculo de pontos azuis e amarelo que simbolizam a SOMP.

A Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, conhecida pela sigla SOMP, é o novo nome da antiga Síndrome dos Ovários Policísticos, ou SOP. A mudança procura mostrar que a condição não se resume à presença de alterações nos ovários. Ela envolve hormônios, metabolismo, ciclos menstruais, pele, fertilidade, sono e saúde emocional, podendo acompanhar a pessoa por diferentes fases da vida.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a condição atinge aproximadamente 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva, e até 70% das pessoas afetadas podem permanecer sem diagnóstico. Essa demora favorece sintomas persistentes e riscos metabólicos que poderiam ser acompanhados mais cedo.

SOMP: nova nomenclatura da antiga SOP

Em maio de 2026, um consenso global publicado no periódico The Lancet adotou o nome Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome, traduzido no Brasil como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina. A diretriz internacional da Monash University registra que a mudança ocorreu em 12 de maio de 2026 e envolveu profissionais, pesquisadores e pessoas com experiência direta da condição.

O termo anterior provocava confusão porque sugeria que cistos ovarianos seriam obrigatórios. Na prática, algumas pessoas diagnosticadas não apresentam ovários com aparência policística, enquanto outras podem ter essa imagem no ultrassom sem preencher os demais critérios da síndrome. O novo nome destaca o envolvimento de múltiplos sistemas hormonais e as alterações metabólicas que exigem acompanhamento contínuo.

No Brasil, documentos oficiais ainda podem utilizar a sigla SOP durante a transição. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, atualizado em 2025, permanece publicado com essa nomenclatura. Por isso, SOMP e SOP podem aparecer como referências à mesma condição em consultas, laudos, conteúdos médicos e sistemas do SUS.

Sintomas da síndrome ovariana metabólica

Os sinais variam. Irregularidade menstrual, ausência de menstruação, ciclos longos, sangramento intenso, dificuldade para ovular, acne, oleosidade, aumento de pelos no rosto ou corpo e queda de cabelo podem ocorrer isoladamente ou em conjunto. Algumas pessoas também apresentam ganho de peso, especialmente na região abdominal, mas a SOMP pode existir em qualquer faixa de peso.

Hiperandrogenismo e alterações menstruais

O hiperandrogenismo corresponde ao excesso clínico ou laboratorial de hormônios androgênicos. Ele pode aparecer como hirsutismo, acne persistente ou afinamento dos cabelos. Já a disfunção ovulatória costuma provocar menstruações imprevisíveis e dificuldade para engravidar. Segundo a OMS, a síndrome é uma das principais causas de ausência de ovulação e infertilidade no mundo.

A intensidade dos sintomas não determina sozinha a gravidade. Uma pessoa com poucas manifestações visíveis pode ter resistência à insulina, alteração do colesterol ou risco aumentado de diabetes. Por isso, a avaliação não deve ficar restrita à aparência dos ovários ou às queixas estéticas.

Diagnóstico da SOMP exige avaliação completa

O diagnóstico é clínico e laboratorial, realizado após excluir outras causas de irregularidade menstrual e excesso de androgênios. Em adultas, geralmente são considerados três componentes: hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística no ultrassom ou elevação do hormônio antimülleriano. A presença de dois desses elementos pode confirmar o quadro, conforme critérios atualizados.

Ultrassom nem sempre é obrigatório

Quando irregularidade menstrual e hiperandrogenismo já estão presentes, o ultrassom pode não ser necessário. Essa informação evita atrasos e reduz a ideia equivocada de que somente a imagem dos ovários define a síndrome. Em adolescentes, o diagnóstico exige cuidado maior, porque ciclos irregulares e acne podem fazer parte da puberdade. A diretriz internacional não recomenda ultrassom nem hormônio antimülleriano para diagnosticar adolescentes, devido à baixa especificidade.

A investigação pode incluir glicemia, teste oral de tolerância à glicose, perfil lipídico, pressão arterial e avaliação de sintomas de apneia do sono. Também é importante conversar sobre saúde mental, imagem corporal, alimentação e planejamento reprodutivo. O objetivo não é apenas nomear a condição, mas identificar quais áreas precisam de acompanhamento.

Resistência à insulina e riscos metabólicos

A resistência à insulina é frequente na SOMP. Nessa situação, as células respondem menos ao hormônio, fazendo o organismo produzir mais insulina para controlar a glicose. A hiperinsulinemia pode estimular a produção de androgênios, dificultar a ovulação e favorecer acúmulo de gordura abdominal, criando um ciclo que conecta sintomas reprodutivos e metabólicos.

De acordo com a OMS, pessoas com a síndrome apresentam risco aumentado de diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, obesidade, doença cardiovascular, apneia do sono e doença hepática associada ao metabolismo. O risco existe mesmo quando o peso está dentro da faixa considerada saudável, portanto o acompanhamento não deve depender apenas do índice de massa corporal.

A diretriz internacional recomenda avaliar o estado glicêmico no diagnóstico e repeti-lo periodicamente, conforme os fatores individuais. Também orienta medir a pressão todos os anos e solicitar perfil lipídico no início do acompanhamento. O teste oral de tolerância à glicose é considerado o método mais preciso para investigar alterações glicêmicas nessa população.

Fertilidade, gravidez e saúde do endométrio

A SOMP pode dificultar a gravidez porque a ovulação ocorre de maneira irregular ou não acontece em alguns ciclos. Isso não significa infertilidade definitiva. Muitas pessoas engravidam espontaneamente, enquanto outras precisam de indução de ovulação ou técnicas de reprodução assistida. O tratamento depende da idade, frequência dos ciclos, tempo de tentativa e presença de outros fatores de infertilidade.

Antes da gestação, é importante avaliar pressão, glicemia, alimentação, sono, atividade física, uso de álcool, tabagismo e suplementação indicada. Na gravidez, há maior risco de diabetes gestacional, hipertensão, pré eclâmpsia, parto prematuro e algumas outras complicações, o que justifica acompanhamento pré natal individualizado.

Ciclos muito espaçados também podem deixar o endométrio exposto por longos períodos sem a proteção da progesterona. Isso aumenta o risco de hiperplasia endometrial e, embora o risco absoluto permaneça baixo, de câncer do endométrio. Regularizar os ciclos ou utilizar progesterona conforme prescrição ajuda a proteger o útero. Sangramentos anormais precisam ser investigados.

Tratamento da SOMP é individualizado

Não existe uma única terapia capaz de atender todas as pessoas. O plano deve considerar sintomas prioritários, desejo de engravidar, riscos metabólicos, saúde mental e preferências pessoais. A decisão compartilhada evita tratamentos automáticos e permite ajustar as estratégias ao longo da vida.

Alimentação, movimento e sono

Hábitos saudáveis são parte central do cuidado, independentemente de ocorrer perda de peso. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e redução do sedentarismo podem melhorar glicemia, colesterol, composição corporal e qualidade de vida. A diretriz internacional ressalta que não existe uma dieta ou modalidade de exercício superior para todas; o melhor plano é sustentável, seguro e compatível com a rotina.

Medicamentos e objetivos clínicos

Contraceptivos hormonais combinados podem ser utilizados para regular ciclos e tratar acne ou excesso de pelos quando não há contraindicação. Metformina pode ser considerada para alterações metabólicas e risco de diabetes. Tratamentos dermatológicos, métodos de remoção de pelos e medicamentos para induzir ovulação podem integrar o plano conforme cada objetivo. Nenhum medicamento deve ser iniciado ou interrompido sem avaliação profissional.

Saúde mental também precisa de cuidado

Ansiedade, depressão, sofrimento com a imagem corporal e transtornos alimentares são mais frequentes nessa população. A OMS destaca que sintomas, infertilidade e estigma podem afetar relações, trabalho e sensação de pertencimento. Diretrizes recomendam rastreamento psicológico e oferta de terapia quando necessário, sem reduzir toda a experiência ao peso corporal.

A mudança de SOP para SOMP amplia a compreensão sobre uma condição crônica que vai além dos ovários. Reconhecer sinais menstruais, hormonais, metabólicos e emocionais permite chegar ao diagnóstico com menos demora e construir um acompanhamento integral. O cuidado pode envolver ginecologia, endocrinologia, nutrição, dermatologia, saúde mental e medicina reprodutiva, conforme as necessidades individuais. Informação confiável, exames adequados e decisões compartilhadas ajudam a controlar sintomas, proteger a saúde futura e reduzir o impacto da síndrome na qualidade de vida.

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SOMP e Fertilidade: 

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SOP mudou para SOMP:

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Fontes:

https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-67362600717-8/fulltext

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/polycystic-ovary-syndrome

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/s/sindrome-de-ovarios-policisticos/view

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42119588

https://www.monash.edu/medicine/mchri/pcos/guideline

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42327014

https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/resumidos/pcdt_resumido_sndrome-de-ovrios-policsticos.pdf