Conheça os benefícios do Mindful Eating

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O próprio Centro Brasileiro de Mindful Eating reconhece: o tema ainda é incipiente na literatura científica e prática clínica no Brasil. O assunto, no entanto, tem despertado a atenção, seja de pacientes ou de médicos, que têm recebido uma demanda crescente de pessoas interessadas em descobrir se a ideia traz, de fato, benefícios ou se é apenas uma das novas dietas da vez.

O Coração e Vida consultou especialistas em Nutrição e Endocrinologia para tentar esclarecer as principais dúvidas que cercam o assunto.

O conceito de mindful eating está estabelecido essencialmente em um cenário que não tem nada de ficção ou passageiro. Dados recentes apontam que a obesidade se tornou, de fato, uma triste realidade em boa parte do planeta. Desde 1980, o número de obesos em mais de 70 países mais do que dobrou.

Os números provêm de um complexo estudo realizado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IMHE) da Universidade de Washington (EUA) e publicado no periódico científico New England Journal of Medicine, que coletou dados de 195 países entre os anos de 1980 e 2015.

O resultado é alarmante. O sobrepeso, que não necessariamente qualifica-se como obesidade, gera problemas de saúde para cerca de 30% da população mundial, considerando tanto adultos como crianças.

Uma das causas desse aumento considerável de pessoas obesas ou com sobrepeso é justamente o fato de que o ser humano, nas últimas décadas, passou a comer “no modo automático”. Ou seja, diante do excesso de atividades e compromissos, aliado à ampla oferta de alimentos industrializados e restaurantes estilo fast-food, as pessoas têm se alimentado sem sequer perceberam o que, de fato, está em seus pratos.

“Mindful eating significa comer com atenção plena, perceber as cores, texturas, aromas, sabores, sem julgamentos ou críticas”, explica a nutricionista Paula Mintz Hertel, que fala ainda sobre um dos principais problemas alimentares da atualidade. “O fato é que as pessoas comem muito no automático, distraídas e muitas vezes nem percebem o que estão comendo, o que pode levar a um exagero alimentar. Quando estamos atentos ao nosso corpo, fica mais fácil de perceber os sinais de fome e saciedade”, completa.

A endocrinologista Claudia Cozer Kalil ressalta que o princípio de mindful eating está relacionado a um “comer consciente” e isso implicar em estar presente física e mentalmente no momento da refeição, valorizando o ato e prestando atenção na comida que está sendo ingerida.

“Dessa forma, a pessoa se torna mais apta a fazer melhores escolhas alimentares e está mais conectada com o corpo, percebendo sua fome e também os primeiros indícios de saciedade. Comer de forma consciente ajuda a evitar que se coma por ansiedade ou compulsivamente e pode ajudar também a comer menores volumes de comida, além da melhora na qualidade alimentar”, explica.

De acordo com Cláudia, a ideia central do mindful eating é não restringir. Não se trata, portanto, de uma dieta que busca limitar ou até mesmo proibir determinado gênero de alimentos, mas valoriza a atenção que é dada à comida ou ao ato de se alimentar.

“O indivíduo come com mais calma e muitas vezes reduz o volume. Sem fazer grandes seleções ou sentir culpa. Comer apreciando!”, destaca a endocrinologista.

Ainda que as dietas consideradas restritivas possam surtir efeito durante determinado período, não são sustentáveis a longo prazo. Conforme Cláudia destaca, “restringir determinado alimento ou determinado grupo alimentar torna o ‘proibido’ mais atraente e há maior risco de exagero ou compulsão”.

Paula complementa que a dieta restritiva carrega os riscos de deficiências nutricionais, impactos psicológicos, queda no rendimento na atividade física e baixa disposição física e mental. “As necessidades nutricionais são individuais, portanto não tem como existir uma dieta padrão”, completa.

Mais do que determinar uma rígida lista de alimentos e hábitos alimentares, o conceito de mindful eating busca disseminar a ideia de que as pessoas precisam atentar-se ao que estão ingerindo. Quanto mais consciente estivermos em relação àquilo que comemos, mais estaremos aptos a selecionar com mais rigor os alimentos e a buscar refeições mais saudáveis e em proporções mais adequadas.

É preciso ressaltar, no entanto, que qualquer tipo de dieta ou mudança na rotina alimentar pode e deve ser acompanhada de perto por profissionais especializados. Ambas as especialistas ressaltam a importância de que as orientações devem ser individuais, baseadas em diversos fatores que naturalmente divergem de pessoa para pessoa.

“Não existe dieta milagrosa. As pessoas é que buscam milagres, resultados rápidos”, afirma Paula. Cláudia completa e sustenta que os “modismos alimentares” geram ansiedade e medo das pessoas perante a comida.

“O estilo de vida saudável com a prática regular de atividade física, boas noites de sono e comida equilibrada proporcionam o efeito ‘milagroso’ vendido por tantas dietas da moda. Permitir-se comer um chocolate gostoso de vez em quando o torna mais seletivo. Você quer ‘o’ chocolate e não qualquer chocolate. É preciso dizer mais ‘sim’ para a comida e com menos culpa – afinal é só um chocolate -, para poder dizer ‘não’ de maneira seletiva”, reitera a endocrinologista.

Segundo ela, as dietas “milagrosas” tem prazo de validade. “O estilo de vida saudável, que engloba uma boa relação com a comida é duradouro e menos desgastante, pois a médio ou longo prazo se torna intuitivo, libertando-nos de dúvidas e culpas”, completa.

Revisão técnica

  • Prof. Dr. Max Grinberg
  • Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
  • Autor do blog Bioamigo

Fonte: site Coração e Vida, produzido com a curadoria do cardiologista Dr. Roberto Kalil Filho.

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